Paternidade Real - Por Marcos Piangers

abril 01, 2015




oi pipow!

hoje eu vim trazer um texto que me fez ver o quanto um filho pode mudar a vida de alguém, que por mais que seja difícil, cansativo, que tenha inúmeros testes de paciência, ter filhos é a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa.

digo por mim mesma, mudei totalmente o melhor olhar para vida e isso só me fez bem, mas mais do que falar disso, vamos ver um pai, dizendo isso, sim, minhas amigas, um pai.

para isso, trouxe um texto do colunista e radialista, Marcos Piangers (que eu adoro demais) para mostrar para vocês, o que um pai vê sobre ser pai!

Deliciem-se!

“A paternidade, a longo prazo, é extremamente gratificante, preenche um vazio existencial, permite que você se sinta eterno, desperta o orgulho de ter formado um cidadão que pode fazer uma diferença positiva no mundo. Mas, em curto prazo, no dia a dia, existem pequenas coisas que colocam esse plano maior à prova, nos dando uma vontadinha de desistir. Por exemplo, uma ida ao shopping center com duas filhas.

A filha mais velha normalmente está falando, porque é isso o que as mulheres fazem quando estão acordadas — algumas também fazem quando estão dormindo: falam. Ela vai estar falando sobre comprar uma mochila nova, ou pulseiras de zíper, ou qualquer outro apetrecho colorido que você não vai entender muito bem o que é ou pra que serve, e terá nome esquisito como niddles, ou poppies, ou booblebis. A mais nova estará chorando, indignada com a necessidade de sentar em uma cadeirinha para crianças, presa por um cinto de segurança. Você terá muitas vezes vontade de deixá-la sem cinto, sem cadeirinha, e talvez até com a porta meio aberta.

Ao finalmente conseguir estacionar, a mais velha estará chorando porque você disse que não vai comprar niddles ou poppies ou booblebis e a mais nova estará dando chutes no encosto para cabeça do banco do motorista. Agora você tirou a mais nova da cadeirinha, mas a mais velha se recusa a sair do carro. Depois de alguma conversa, a mais velha sairá, mas a mais nova estará chorando agora. Para acalmá-la, você permitirá que ela ande na escada rolante 13 vezes, subindo e descendo pela escada do lado, para então, finalmente, poder entrar de fato no shopping.

Dentro do shopping haverá paradas nas lojas de doces, de balões, de sorvete, de celulares, e, é claro, nas lojas de brinquedos. Em cada uma das lojas haverá uma compra ou uma conversa longa sobre como não existe a possibilidade de você comprar, por exemplo, um chiclete de R$ 16. Em cada parada você perderá uma filha, porque enquanto uma para, a outra segue tranquila pelo meio da multidão. Ainda que o sentimento de perder uma filha seja desesperador, o sentimento de perder as duas filhas é um pouco revigorante.

A loja para a qual você foi até o shopping não terá o produto que você esperava encontrar, então, é hora de pagar o estacionamento. Aqui temos um momento especial na vida do cidadão moderno, momento este que merece um parágrafo só pra ele.

Antigamente, os quiosques de pagamento de estacionamento eram localizados na saída do shopping, o que fazia toda lógica do mundo. Então, os quiosques passaram para o meio do shopping, imagino que seja para as pessoas ficarem mais tempo circulando, aumentando as chances de você comprar algo ou de perder um filho. Mas, agora, os quiosques estão nos locais menos prováveis, escondidos, embaralhados, mudando de lugar o tempo todo. Imagino que, em breve, teremos de perguntar para os seguranças a localização dos quiosques e receberemos uma senha secreta — e, subindo ao terceiro andar do shopping, encontraremos um senhor de óculos, sobretudo e chapéu que ouvirá a senha e nos dará um pendrive com as coordenadas de latitude e longitude do quiosque para pagamento do estacionamento do shopping. Mas voltemos às minhas... filhas... cadê minhas filhas?!!?!

Ah, estão lá. Você, então, gritará para suas filhas, que virão correndo e esbarrando nas pessoas, todas elas muito civilizadas e considerando você um péssimo pai. Você pagará o estacionamento com a mais nova no colo, a mais velha feliz com seus niddles, tentará entrar no carro com outro carro colado ao seu, ouvirá os choros de protesto da mais nova na cadeirinha, aguardará a cancela abrir, e estará novamente em contato com o ar puro, o sol, os pássaros. Você abrirá o vidro e entrará uma brisa suave. No rádio estará tocando um jazz gostoso, os motoristas darão passagem e o trânsito fluirá com calma, mas constância. Você olhará pelo retrovisor e verá duas lindas crianças felizes, olhando a paisagem.

E, naquele momento, você será a pessoa mais feliz do mundo.”

e aí, o que acharam desse texto hilário? Eu adoro, é um dos meus preferidos dele! se quiserem ver na integra os textos dele, só clicar aqui.

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