Vida amorosa pós maternidade - Parte II

junho 10, 2015


Oi pipooow, tudo bom com vocês?!

Essa semana falei que abordaria o assunto sobre vida amorosa pós maternidade e hoje vou mostrar um relato de uma linda amiga e seguidora, que me enche de orgulho todos os dias.

Fiquei muito emocionada em receber a história dela e assim mostrar para vocês que sair de um casamento não é coisa de outro mundo e que sim, você pode encontrar o amor da sua vida depois disso.

Eu conheço a P. e digo com toda certeza que hoje ela é muito mais feliz com a nova vida que ela teve coragem de se proporcionar!

Espero que a história dela seja de inspiração para muitas mamães!

Enjoy!



Grande desafio escrever a minha história de mãe, mas vendo as proporções que o @fofoca está tomando e a oportunidade incrível que se tem hoje de compartilhar histórias e experiências, achei válido contar a minha.

Meu nome é P, tenho 24 anos e sou mãe do R, três anos.

Engravidei aos 19 e o R nasceu quando eu já tinha 20 anos – um pouco precoce para os padrões atuais, mas, sinceramente, acho uma ótima idade para ser mãe. Faculdade, trabalho e idiomas, uma rotina bem intensa.

Lembro que estava na praia, de férias. Depois de muito suco de uva e três testes, sim, estava grávida.
A primeira reação foi me olhar no espelho e pensar na palavra Mãe. Ver meu rosto e pensar na quão imensa é essa palavrinha. E o amor já tomou conta de mim. A barriga até aparecia (risos).

Senti-me transbordar. Sim, o choro, um pouco de desespero e o acolhimento de toda a família.

A melhor situação foi contar para meu pai, por telefone. “Oi, pai. Quero te contar uma coisa. Tô grávida”, e ele “Filha, o pai tá estacionando. Já te ligo” e desligou – precisou de um apoio da minha mãe para assimilar a situação. Ela logo virou “vovó” e toda aquela novidade virou um sonho.

Junto com a gravidez, veio um conto de fadas, construído por mim, apenas, afinal, nem todos os homens estão preparados para ser pai. Por que será que com as mães é diferente?

Já namorava há quase dois anos, resolvemos casar. Tudo muito lindo, confesso, mas verdadeira felicidade sempre foi pelo R, e principalmente, vinda de mim e da minha família – engraçado, mas “minha família” sempre era a definição para meus pais, meu irmão, eu e o meu bebê. E agradeço a Deus por tê-los de forma tão presente em minha vida, desde sempre. Ecografias, menino ou menina, simpatias não faltaram!

Escolha do nome, organização do quartinho, fotos com barrigão, expectativa para ver a barriga se mexer a qualquer momento, escolha do pediatra, do hospital, pensar no bebê, no suposto signo dele, na personalidade, em como ele seria, com quem pareceria, a cor dos olhos, o cabelo, a profissão que seguiria.

A vida me ensinou que os padrões que inspiram felicidade e movem a sociedade, nem sempre são, enfim, felicidade. Que casar é muito mais que vestir-se de branco e organizar uma linda festa – até meu casamento, posso dizer que vivi a expectativa mais com meu pai do que com qualquer outra pessoa.

Organizamos uma linda festa em dois meses e o noivo foi apenas um convidado, penso.

A gravidez foi muito tranquila, acho que tive um enjoo, apenas, e a barriga só apareceu mesmo aos seis meses. Continuei trabalhando e cursando a faculdade.

O R nasceu no dia seis de outubro, às dezenove horas. Eu já não aguentava mais esperar. Foi marcada a cesárea e aquele dia foi o mais longo da minha vida.

Sempre conversei muito com ele, enquanto estava na minha barriga e já sentia uma emoção enorme quando ele reagia a algum toque ou quando me ajudou a escolher o próprio nome através de chutes. Mas vê-lo pela primeira vez, meu Deus, que dádiva.

Aqueles olhos que brilhavam e aquela mãozinha que já buscava algo. Quando meu rosto tocou o dele, o choro cessou e o meu mundo parou para o meu filho.

Os primeiros dias de adaptação, os primeiros meses de descobertas e os primeiros anos de vida de uma criança, assistidos de camarote.

Não trabalhei no primeiro ano do R e achei bem importante estar com ele nesse período. Nos divertimos muito e eu lembro de cada fase, de cada sorriso. Fui por muito tempo só mãe, a mulher ficou um pouco de lado.

Optei por uma educação que inspira autonomia, queria um menino independente, que soubesse se expressar, queria bons argumentos e opiniões críticas – de fato, ele é assim. E isso é bastante engraçado aos três anos.

A adaptação na escola foi muito tranquila.

Concluí a faculdade, fiz pós-graduação e especialização. Percebi que a vida pedia mais e que eu queria mais. Minha mãe sempre muito parceira, sempre me motivou a ser independente e agradeço muito a ela por isso.

Hoje percebo que foi o meu sonho de família, que durou 3 anos. Era apenas meu e eu cansei de sustentá-lo sozinha. Decidi que era hora de encarar a realidade, que não era daquela maneira que eu queria passar o resto da minha vida e que meu filho não iria manter um casamento.

Sentia-me plena como mãe, mas uma mulher precisa muito mais que isso. Era vazio e eu sabia que não precisava passar por isso. Eu sabia que poderia mais.

Foi difícil destruir um sonho de família ideal, destruir uma expectativa e aceitar que sozinha seria melhor. Foi um momento de adaptação e nós nos saímos muito bem.

O R gostou desde o início da ideia de morar com a mamãe e visitar o pai, pois ele tem hoje, de certa forma, o que nunca teve: um tempo para o R. Mesmo que seja uma ou duas vezes na semana ou nada em algumas semanas, mas hoje existe um tempo.

Fico feliz por isso – mesmo que não seja o suficiente para o meu filho. Nessa fase, descobri o instinto defensivo de mãe, aquela leoa que surge quando o filhote está em perigo.

Descobri-me, fui até meu limite de paciência, respirei e voltei.

Aprendi que não podemos exigir nada das pessoas, elas são o que são.

E que processos de divórcio podem não ser fáceis. E podem demorar anos.

Dica: esquecer. Levar a vida normalmente e não esperar para ser feliz. É muito frustrante para uma mãe optar por uma separação – parece até egoísmo em relação aos filhos, aos olhos de quem só vê terminar uma família.

Sei que muitos julgam atitudes assim, mulheres que tomam tais decisões, mas conheci muitas que passaram por essa aprendizagem e são todas muito felizes, assim como eu – muito mais que aquelas que camuflam uma vida perfeita.

Importante ser sincera consigo mesma e encarar se algo não está como deveria, se não saiu como planejado.

A vida é assim. Mas valorizo uma família feliz, até mesmo uma família de duas pessoas.

Gosto de acompanhar o Fofoca de Mãe e me orgulho muito da Pâm, por ela levar essa mensagem sempre: somos todas mães, não é uma competição. Há erros, há acertos, há muito a melhorar.

Histórias. Lindas histórias. Todas as nossas fases refletem nos nossos filhos, há felicidade e dias difíceis, mas acima de tudo, há amor.

E hoje, além de todo esse amor entre mãe e filho, toda a nossa cumplicidade e felicidade, temos ao nosso lado alguém que trouxe mais amor. Muito mais amor. Alguém que nos transbordou de bons sentimentos e novas expectativas. Surgiu um amor de pai, um amor pela nossa família. Não só pela mamãe.

Algo em que eu não acreditava antes de vivenciar.

Encarei a vida sozinha, eu e meu filho. E quis assim, até conhecer ele.

Então ele conheceu o R e hoje somos uma família. Uma família que mora longe, mas não menos família ou menos feliz.

Tem muito amor aqui. E fico imensamente feliz por ter feito a escolha certa e poder dar ao R o pai que ele merece.

Ele se sente muito privilegiado hoje, encara tudo com naturalidade, pois sempre falei a verdade para o meu filho. Lidamos com os fatos e explico tudo para ele.

Sei que ele é capaz de compreender. “Tenho dois pais, porque sou muito grande”. Cada por que, cada dúvida, cada situação, temos muito diálogo.

Quero que meu filho cresça e tenha orgulho da história dele e que valorize cada pessoa que faz parte dessa trajetória, independente de vínculo familiar biológico ou de coração.

Decidimos somar. E como é bom somar.

Acho que estamos acertando na educação do R, é uma fase de muitos desafios no sentido de limites, e fico feliz por estar dando conta.

Oramos todas as noites agradecendo por saúde e pela nossa família. Pedimos paz e muito amor em nossas vidas.

Agora somos três: dois homens e a mulher mais feliz do mundo.

Nossa rotina é corrida, mas bem organizada. Eu trabalho e ele vai para a escola de segunda a sexta-feira, temos diariamente os nossos momentos de diversão e a história do Pinóquio, antes de dormir.
O papai vem nos finais de semana e aproveitamos cada momento juntos.

Sinto estar curtindo cada fase com meu pequeno, com toda a intensidade possível, e isso não tem preço. Sinto-me realizada – e hoje, em todos os sentidos da palavra realização.

Ainda temos muito a sonhar juntos e sei que a vida ainda me reserva muitos motivos para sorrir.

O R nem sonha o quanto ele é importante pra mim, acho que nenhum filho tem essa noção. Eu faço tudo pela felicidade e bem estar dele. Ele é um menino incrível e sou grata por poder ser sua mãe, é um verdadeiro presente.

Aprendi, como mãe, que a vida passa muito rápido e que não vale a pena dedicar tempo às pequenas insatisfações.

Aprendo todos os dias com os desafios que ele me impõe e tenho muito orgulho de nós, da nossa equipe.

Somos muito felizes e desejamos que todos sejam, sempre, cada um da sua forma, afinal, não há uma receita para tal.


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