Eu amamentei - Meu relato

agosto 04, 2015


Hoje eu venho trazer o meu relato sobre o aleitamento materno, como funcionou comigo, o que deu certo, o que deu errado e também a minha escolha pelo desmame do Lucca.



Todos me diziam que amamentar seria algo fácil. Meu ginecologista/obstetra era uma dessas pessoas, sempre em que eu questionava sobre isso, ele diria que o bico ia sair, que isso era natural, assim que o bebê sugasse, tudo seria normal.

Ingênua eu em acreditar isso.

Nunca tive bico nos seios e na gestação ficava pensando como "do nada" isso ia se tornar um seio de mãe, a qual amamenta naturalmente seu filho.

A única coisa que fiz durante a gestação do Lucca, foi passar esponja natural nos seios, para começar a deixá-los mais resistentes, coisas de gerações passadas, mas enfim, mãe de primeira viagem, acreditei em tudo que me diziam, mas aí, Lucca nasceu.

No hospital em que Lucca nasceu, pelo menos comigo, não tive meu filho comigo na sala de recuperação, fiquei lá sozinha. Ele nasceu ás 10:33 e eu voltei para o quarto, apenas final da tarde. Hoje vejo que deveria ter pedido por isso, meu filho deveria ter ficado comigo, mas não foi.

Já no quarto, finalmente com meu filho em meus braços, pude finalmente tentar amamentar e juro, até hoje não sei se aquele primeiro momento eu estava fazendo a coisa certa, eu sem jeito, meu filho sem saber muito o que fazer e um nervosismo tomando conta de nós.

No outro dia, uma santa enfermeira olhou meu seio e viu que dali não iria sair um bico para uma amamentação correta e teve me deu a dica que salvou a minha vida de mãe. Conchas de amamentação! Segundo ela, eu já poderia estar usando antes mesmo do Lucca nascer, para ir formando o bico, mas né, não fui bem orientada. Hoje eu daria um beijo nessa enfermeira, mal ela sabe o quanto isso foi essencial para mim.
Conchas de amamentação Lolly, com base rígida

Pedi a minha mãe que logo comprasse essas conchas e assim foi! Assim que chegaram tratei de colocá-las e rezava para que dali saíssem bicos de verdade para amamentar meu filho! (Falo mais delas em outro post!)

Foram dias horríveis, me desculpem a expressão, mas realmente foram. Quem nunca teve bico, sabe do que estou falando e o quanto difícil é amamentar dessa forma.

Lucca não teve problemas para sugar, mas a dor que eu sentia era absurda.Eu morava com meus pais naquela época e tive muito o apoio da minha mãe nesse momento, sem ela, eu teria desistido. Antes mesmo de pegar meu filho no colo para amamentar eu já estava chorando.

O bico que começava a se formar, se tornou um machucado e sangrava muito, tive que cuidar muito para que meu filho não se alimentasse do meu sangue. Mas além da dor da formação do meu bico, eu tinha muito leite, por mais que Lucca fosse muito guloso, ele não dava conta da produção que eu tinha e meu leite empedrou.

Senhor!

Não conseguia mexer os braços, um peso absurdo no peito, a febre e a dor para tirar todo aquele leite! Banhos e mais banhos com água muito quente nos seios, eu apertando um seio e minha mãe o outro. E uma dor absurda que não tinha fim.

Comecei a tirar com bombinha manual e desse leite, eu acabei doando por alguns dias para duas amigas que não conseguiram amamentar. Eu amamentava normalmente meu filho e mais duas crianças. Sim, era muito leite!

Com o passar dos dias, isso durou de três a quatro semanas para se normalizar, finalmente eu pude dizer que eu amamentava de verdade meu filho, sem dor e nem mais lágrimas, apenas amor!

Voltei a trabalhar aos quatro meses e consegui manter a exclusividade do aleitamento. Por trabalhar em uma clínica médica, onde meu chefe era o pediatra do Lucca, tive o presente em conseguir isso! Pela manhã, antes de sair para o trabalho, por volta das 08:00, eu amamentava bastante, deixava com que ele secasse os dois seios, pois eu voltaria apenas as 11:30 para amamentar novamente. Nesse meio tempo, caso ele reclamasse de fome, minha mãe distraia ele com um pouco de chá. Mas quando eu chega, já saia correndo para amamentar, pois é claro, até nossos seios sabem que está na hora de dar de mamar, hehe!Antes de sair para o trabalho a tarde, por volta de 12:40, amamentava novamente.

Por volta das 16:00hrs, minha mãe levava Lucca até o meu trabalho para que mamasse e depois ele ficava comigo no trabalho. Era muito bom esse momento, as mães dos pacientes ficavam felizes em ver essa atitude, confiavam ainda mais no pediatra, por ele autorizar que eu amamentasse durante o horário de trabalho.

E assim foram dois meses, até que fosse iniciada a introdução alimentar.

Com o passar do tempo e Lucca crescendo mais a cada dia que passava, percebi o quanto estava sendo desgastante para mim esse momento. Ele já tinha vários dentes, já era muito esperto e as mordidas começaram se tornar rotina durante as mamadas. Percebi que meu leite já não era fonte de alimento para meu filho e sim uma mania.

Em uma certa noite, ele me deu uma grande mordida em meu seio (eu vi estrelas) e a partir dali, iniciei em mim o processo do desmame. Para nenhuma mãe isso é fácil, pois é um dos maiores símbolos da maternidade, eu não queria perder aquilo.

Não foi fácil.

Com a ajuda do pediatra, passamos a intercalar as mamadas com leite de vaca e Mucilon (sim, me julgem!) e dessa forma que começamos a desmamar. Meus pais iam fazer uma viagem longa, iam ficar quatro dias fora e vimos ali um jeito de fazer esse desmame. Muitas irão me julgar, mas para nós foi a melhor forma. Lucca viajou com meus pais e foi a melhor decisão que tomamos para o desmame. Muitos vão dizer que foi um desmame forçado, mas para mim foi natural e menos dolorido para os dois lados. Ele não iria sentir o cheiro do meu leite e assim não iria sentir falta e assim foi.

No meu lado, foi um pouco mais complicado, mesmo que eu já estivesse produzindo menos leite, um dia inteiro sem dar me mamar, fez com que a noite eu estive com o  leite empedrado e febre, mas nada que em dois dias começasse a se normalizar.

Ao voltar de viagem, a saudade era tão grande, que deixei que ele mamasse mais uma vez, como despedida e depois dali, nunca mais deixei.

Se sinto falta? Claro que sim, era um momento só meu e dele, era o nosso amor sendo nutrido, mas isso é necessário.



Não deixei que aquilo se tornasse um martírio, um sofrimento... ele já estava se alimentando de outras fontes de alimento, meu leite era apenas um complemento.

Amamentar é lindo, claro que é, mas não deixei que aquilo me consumisse e fizesse com que eu me tornasse uma "escrava" do meu filho.

"Nossa, Fofoca, que insensível que você é." 

Não sou nenhum pouco, mas para o meu caso, sabia que não era viável amamentar muito tempo meu filho. 

Mesmo amamentando exclusivamente até o sexto mês de vida do Lucca, ele teve várias doenças, mesmo com a amamentação exclusiva, então, não acredito que, no meu caso, isso tenha feito a diferença!

Eu amamentei e sou muito a favor da amamentação, mas desde que ela seja saudável para os dois lado, eu digo saudável fisicamente e mentalmente!

Eu amamentei e essa é a minha história, meu relato sobre o aleitamento materno!


* Imagens Pinterest e arquivo pessoal

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