Meu filho fala errado! E agora? - Por Rafaela Ev

agosto 25, 2015


Olá, mamães! 

É com muita honra que faço a minha primeira postagem no blog da Pâmela. Somos amigas de infância, por isso, fiquei ainda mais feliz com o convite. Hoje, escolhi falar sobre um assunto que as mães me questionam bastante: As trocas de sons na fala das crianças.



O desenvolvimento da fala é uma das realizações mais importantes da primeira infância. Em questão de meses as crianças passam de um vocabulário reduzido para um vocabulário amplo, que segue aumentando todos os dias.

Mesmo que a linguagem verbal seja a mais complexa, é importante ressaltar que ela não é a única forma de comunicação. Podemos nos comunicar com outra pessoa e compartilhar os nossos pensamentos/emoções através de gestos (linguagem gestual), através do corpo (linguagem corporal) ou até mesmo através de diversos códigos. Sendo assim, podemos considerar a linguagem como um processo simbólico da comunicação e a fala como um instrumento de expressão da linguagem.



“Quando a criança começa a falar?” - Essa é uma das dúvidas mais frequentes que as mães apresentam. Na maioria das vezes, a idade média com que as crianças começam a falar é com 1 ano e meio de idade. Algumas mães comparam uma criança com a outra, mas precisamos entender que cada criança apresenta um ritmo.

Existem crianças que são mais apressadas e começam a emitir as primeiras palavras por volta de 1 ano, já outras, podem precisar de mais tempo e iniciam por volta dos 2 anos. Portanto, entre 1 e 2 anos de idade espera-se que as crianças comecem suas primeiras palavras, mesmo que produzidas de forma incorreta. Por volta dos 2 anos a maioria das crianças já possui um bom vocabulário, conseguindo nesta idade, ou até um pouco antes, produzir frases simples e relatar fatos/histórias. Se chegar aos 2 anos e a criança ainda não estiver falando, ou se a mãe estiver apresentando dúvidas sobre o desenvolvimento, deve procurar um profissional.



As trocas de sons na fala, conhecida na fonoaudiologia como desvio fonológico, fazem parte do processo de aquisição da fala e são esperadas até por volta dos 4 anos e meio de idade, quando a criança já está apta para produzir todos os sons, inclusive os mais complexos como os encontros consonantais (preto, branco, cravo, entre outros). Se após esse período a criança ainda apresentar trocas na fala, é necessária uma avaliação fonoaudiológica. Ressalta-se que as mães não esperem muito tempo para procurar ajuda, pois quando a criança iniciar a aprendizagem da escrita, certamente irá escrever da mesma forma que fala. Visto isso, é importante que a criança já esteja falando corretamente.



O desvio fonológico caracteriza-se por alterações sem uma causa orgânica. Ou seja, mesmo que a criança tenha uma integridade neurológica e das estruturas envolvidas na fala, existe uma dificuldade para a pronúncia de alguns sons. Na maioria das vezes, são estes problemas que levam as crianças ao tratamento fonoaudiológico. Como os sons são aprendidos progressivamente, para afirmar que uma criança apresenta problemas precisamos verificar se sua dificuldade é ou não esperada para sua faixa etária.

Observa-se que o ambiente familiar pode influenciar em alguns problemas de fala. Por exemplo, algumas mães falam com a criança como se ela fosse um bebê, então, certamente esta criança irá se comportar como um bebê. Por isso, se falarmos com a criança pronunciando as palavras de forma incorreta e infantilizada – “Filho, quer um pilulito?” (pirulito) ou “Filho, gosta de lalanja?” (laranja) - ao invés de darmos bons exemplos, o modelo que a criança estará recebendo será negativo e é ele que será tomado como referência. Por outro lado, vemos aquelas mães que corrigem seus filhos o tempo, podendo estar exigindo demais, acima das possibilidades da criança, ou seja, não estar aceitando o que é normal para a idade dela. Temos que ter cuidado com estas exigências, porque a criança pode se sentir insegura em relação à sua fala. Quando isso se torna motivo de preocupação, as mães devem ser orientadas, porque essa ansiedade da mãe pode passar para a criança, fazendo assim, com que ela crie uma imagem negativa de si mesma ao perceber que deveria estar fazendo alguma coisa que ainda não consegue. Isso pode, inclusive, dificultar ainda mais o processo de aprendizagem dos sons.

Importante! Quando uma criança apresenta dificuldades para ouvir, provavelmente terá problemas para aprender a falar. A perda auditiva pode ser caracterizada em vários graus, mas na perda auditiva leve já existe dificuldade para escutar alguns sons. Conforme o grau da perda evolui, pode-se chegar a um estágio no qual só ouve sons de intensidade muito elevada. O ideal é detectar o problema logo no início, para não comprometer a comunicação. Por isso o teste da orelhinha deve ser realizado logo quando o bebê nasce, ou então, para as crianças que nunca fizeram, indica-se a realização de um exame o quanto antes.



Independente da situação, as crianças devem ser incentivadas a falar, mas de uma forma saudável, sem pressão. Elas podem ser corrigidas indiretamente, sem a necessidade da mãe falar que está errado e ficar treinando as palavras com ela. Por exemplo, se a criança falar: “O pato está cheio de feizão”, a mãe pode corrigir sem que a criança perceba. Como? Pode responder apenas: “Sim, o prato está cheio de feijão”. Assim, a mãe mostra que compreendeu o que a criança disse e, ao mesmo tempo, corrige naturalmente dando o modelo correto, evitando que a criança fique frustrada ou que pare de falar devido ao medo de errar e ser corrigida.

O meu objetivo foi orientar todas vocês em relação ao desenvolvimento da fala de seus filhos, oferecendo a oportunidade de estimular a linguagem deles e, também, fazer com que vocês possam perceber as dificuldades destas crianças para procurar o quanto antes a avaliação de um profissional ao observarem um problema nesse desenvolvimento.

Até a próxima!

Com carinho...




You Might Also Like

1 comentários