Pais separados

agosto 12, 2015

Muitas mães vem me pedindo para falar sobre a minha relação com o pai do Lucca, como decidimos sobre a educação dele, hora de dizer sim ou não, enfim, sei que isso é curiosidade de muitas e hoje vou contar um pouco como funciona e o que tem por traz de tudo isso!


Quando engravidei do Lucca, nunca foi uma opção ficar com o pai dele, então isso tudo foi muito natural para mim, sabia que seria uma mãe solteira! Criar um filho já não é uma tarefa fácil e sozinha, a coisa fica ainda mais complicada, mas nada é impossível.

Sempre me preocupei se Lucca iria ser traumatizado, por não ter o pai presente, se apresentaria alguma mágoa ou algo do tipo e por isso, estou sempre buscando matérias para tal assunto.

No período em que o pai do Lucca não era presente, o modo de criar ele, nunca foi uma questão a ser pensada, mas com o processo de regularização da guarda, muito tive que pensar.O início sempre é mais complicado, mas com muito amor e dedicação, tudo fica bem!A minha dúvida sempre foi: não confundir a cabecinha do nosso filho! E hoje estou muito tranquila com isso.

São duas famílias, duas casas, duas rotinas e duas maneiras de educar. Calma, sem pânico, não é cada um diz uma coisa e o outro diz outra. Na minha casa, o meio de chegar ao que quero ensinar é uma e na cada do pai é outro meio, mas o fim é sempre o mesmo.

Nos dias em que ele está com o pai, dou algumas instruções, falo como agir em certos momentos, mas como o pai dele vai fazer para que ele entenda o que queremos, é da parte dele.

E isso tem dado muito certo!

Lucca é um menino muito educado, diz: obrigada, por favor, com licença e também é muito carinhoso, adora beijos e abraços. Mas ele é criança, não compreende muita coisa do mundo em que vive, o por que não pode comer chocolate todo dia, o por que tem que dormir em tal horário, é claro que tem sim, muitos episódios de birra, choros sem lágrimas, mas que criança não faz isso?

PS: se seu filho (a) não faz birra pra nada, não faz manha, não chora quando não ganha o que quer... por favor, me diga o que você faz!

Durante a semana que antecede a ida dele para a casa do pai, eu já vou preparando o psicológico dele. Digo que ele vai passar o final de semana com o pai, vai poder jogar bola com ele... enfim, todos os dias da semana em que ele vai, já vou fazendo esse processo. E tem sido mais fácil, pois ele já está em uma idade em que entende e compreende muita coisa, e sim, precisamos explicar o que vai acontecer, mostrando a realidade, nunca escondendo nada.

A minha personalidade é uma, a do pai do Lucca é outra e disso, que vamos criar a personalidade do nosso filho, mesmo que distantes, mas todas as escolhas são para o bem dele.

Desde que o pai voltou a conviver mais com ele, nenhuma mágoa foi revivida, tudo foi guardado e bem guardado, hoje lutamos para que Lucca seja uma pessoa muito feliz!


Claro, todo o processo para chegar onde estamos hoje, não foi nada fácil. Chorei muito, por inúmeros dias, mas eu sabia que tinha que fazer esse esforço pelo meu filho. Pois ele não teve tempo de sentir falta do pai nos primeiros anos dele e a volta do pai, veio em um momento certo, pois foi perto da perda da figura de pai que Lucca tinha - a perda do meu pai - e tudo acabou sendo muito mais fácil, pois foi como uma transição, o início das visitas do pai, a adaptação desse momento, a perda do meu pai, início de finais de semana inteiros no pai.

Os finais de semana em que ele fica com o pai são a cada 15 dias, de sexta a noite, à domingo a noite e esses são conciliados com os compromissos que temos. Já trocamos finais de semana, pulamos um, adiantamos outro, ou ás vezes, ele volta um dia antes.

Pela justiça foi estipulado assim, mas sempre pensamos no que é melhor para ele, como por exemplo: o pai tem uma festa de aniversário de um primo do Lucca, é meu final de semana e eu não tenho nenhum compromisso com ele. Não tem problema algum que ele vá com o pai para curtir esse momento.

Algumas vezes por semana, trocamos áudio pelo whatsapp do Lucca com o pai, estou sempre encaminhando fotos e vídeos da rotina dele e o mesmo é quando ele está na casa do pai, me deixam sempre muito bem informada.

A relação dele com a madrasta é muito tranquila, eu e ela hoje nos damos muito bem, mas claro que não foi sempre assim. A primeira vez que conheci ela, me senti invadida. Anos depois, no processo, tinha medo do que Lucca fosse pensar de mim, quando estivesse com ela e o pai.Com a sentença do juiz, sabia que iria perder um pouco do meu filho e isso não é fácil, ainda mais sabendo que tinha uma outra mulher que cuidaria dele também.

Durante esse processo de adaptação do Lucca, não foi só ele quem teve que se adaptar, eu tive que entender ainda mais que Lucca agora teria um pai, o pai do Lucca teve que aprender a ser pai e a madrasta teve que aprender a ser mãe, sim, pois ela assumiria meu papel nos finais de semana em que estivessem com ele.

Nessa adaptação, tivemos uma conversa muito séria, onde tivemos que colocar alguns "pingos nos is" e depois disso, tudo fluiu muito bem! Hoje somos amigas, trocamos confidências, damos conselhos uma a outra e temos um grande amor em comum, o amor de mãe pelo Lucca.

Se tenho ciúmes, claro que sim, não seria hipócrita a ponto de dizer isso, mas isso é normal e eu não deixo que afete tudo o que já conquistamos.

Minha relação com o pai do Lucca é saudável e assim deveria ser para todos. Não foi fácil chegar até aqui, repito quantas vezes for necessário, mas hoje dou graças a Deus por ter superado tudo. Pois não temos mais problemas de como criar, quando o pai vai vê-lo, se irá participar ativamente da vida dele, enfim, hoje tudo está como deveria ser.



Separei algumas dicas para ajudar as mamães que estão passando por isso, ou para aquelas que ainda podem passar:

- NUNCA FALE MAL DO PAI DO SEU FILHO PARA ELE 
Essa é a maior dica que eu posso dar e foi o que eu sempre fiz, mesmo nos momentos de maior raiva que tive do pai dele, NUNCA disse alguma palavra de mal sobre ele para nosso filho, nem dele e nem da família dele.

- GUARDE SEU RANCOR E MÁGOAS
Foram quase 2 anos sem notícias do pai do Lucca, muita mágoa existia quando a isso, mas a partir do momento em que ele quis ser pai, eu abri meu coração e deixei que isso acontecesse.

- DEIXE O PAI SER PAI
Se o pai do seu filho quer visitar, levar para passear, tirar foto e postar no Facebook, deixe que ele faça isso! De alguma forma ou outra isso só vai ajudar no processo que o pai do seu filho, entenda que sim, ele é pai. Não negue que ele tenha momentos com seu filho, pois como ele irá criar laços com seu filho se você não permite que isso aconteça!

- QUANDO ELE NÃO ESTÁ COM O PAI, FALE DO PAI
Durante as semanas, eu sempre converso com o Lucca sobre o pai, peço que relembre quais brincadeiras fizeram... pergunto: Lucca, como é o nome do teu pai? E da vovó? Não deixo que o momento com o pai se restrinja apenas aos momentos em que ele está com o pai.

Bom, acho que falei um pouco de tudo, caso ainda tenha ficado alguma dúvida, comente aqui, mande um e-mail para fofocademae@gmail.com, mande comentário lá no instagram @fofocademae ou então na fan page Fofoca de Mãe.

Espero ter ajudado e não se esqueçam, FAÇA O MELHOR PARA OS SEU FILHO, quando fazemos as coisas por amor, tudo vai dar certo, pode demorar, mas um dia tudo vai dar!

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