Gagueira - Por Rafaela Ev

setembro 22, 2015

Olá mãezinhas! 

Hoje vamos abordar um assunto que muitas mães apresentam dúvidas e que, na maioria das vezes, não investigam por acharem que é apenas uma fase da criança: a gagueira infantil.

A fala da criança se desenvolve durante os primeiros anos da vida. Entre 2 e 5 anos de idade é comum a criança apresentar algumas dificuldades na emissão de palavras com sons mais difíceis, podendo repetir algumas sílabas ou palavras.

Portanto, é importante lembrar que existem 3 tipos de disfluências que podem ocorrer nas crianças: normal, leve ou grave.

A disfluência normal acontece de vez em quando. Por exemplo, a criança pode repetir uma ou duas vezes as sílabas ou palavras ou até mesmo hesitar antes de falar (como se estivesse procurando a palavra certa dentro da cabecinha). Todas as pessoas podem apresentar este tipo de disfluência (momentos de nervosismo, insegurança), sem que seja perceptível aos falantes ou ouvintes.

A disfluência leve é aquela que surge quase sempre com a repetição de sons ou palavras por mais de duas vezes ou por duração exagerada de um som (aaaabre a porta). Em alguns casos, pode apresentar tensões leves no pescoço, no rosto ou em volta da boca, ou mudanças na intensidade da voz. Geralmente tem duração de, no máximo, 6 meses, desaparecendo após este período de tempo.

A disfluência grave é quando a criança gagueja em mais de 10% da fala. O bloqueio/demora a conseguir falar ou produzir um som que parece estar preso são mais comuns do que as repetições de sílabas ou prolongamento de sons. A criança apresenta esforço e tensão para falar, podendo associar à fala movimentos faciais e/ou corporais.


A disfluência infantil tem recuperação espontânea e pode diminuir quando a linguagem começa a se desenvolver mais. Hoje em dia, vemos muitos casos em que alguns profissionais referem às mães para não se preocuparem, pois a gagueira é uma fase e logo desaparece. Realmente vemos alguns casos assim, mas em outros a gagueira permanece.

A gagueira tende a desaparecer espontaneamente ainda durante a infância. Entretanto, em uma minoria dos casos, ela pode se estabelecer e manter-se na adolescência e idade adulta. É comum que a falta de fluência na fala acentue a timidez ou faça com que a criança deixe de se expressar para evitar a vergonha de se atrapalhar nas sílabas e passe a manifestar movimentos corporais involuntários relacionados à tensão e ao esforço para falar. Então, a primeira orientação para as mães que percebem alguma gagueira nos seus filhos é para que não ignorem o problema. É importante a mãe referir suas dúvidas com um fonoaudiólogo no momento em que perceber a dificuldade de seu filho, pois a gagueira é muito mais fácil de prevenir em crianças do que tratar em adultos.


Alguns dos sintomas da gagueira são:
  • Prolongamento de sons - o som é emitido por maior tempo do que o esperado: aaamanhã vou para a escola
  • Bloqueios de sons: a criança apresenta um momento de silêncio antes de produzir certas palavras
  • Repetição de sons e sílabas: a-a-a-manhã vou para a escola
  • Troca de palavras durante a fala: a criança percebe que irá gaguejar e, por isso, troca a palavra por outra. Ela recebe pistas em questão de alguns milissegundos antes de que aquele determinado som não será articulado. Por exemplo, ela ia dizer “papel”, mas ao notar que irá gaguejar na palavra “papel” ela diz “folha”
  • Dificuldade em iniciar uma palavra, frase ou expressão
  • Excesso de tensão para produzir uma palavra ou som
  • Dificuldade para se comunicar de forma eficaz
  • Movimentos motores involuntários como: tensões, tremores de lábios, piscar de olhos, entre outros.
Alguns cuidados importantes que as mães devem ter com estas crianças:
·         Não pedir para a criança não gaguejar
·         Não interromper enquanto a criança estiver falando
·         Não falar sobre a gagueira na frente de outras pessoas quando a criança estiver presente
·         Não comparar a criança com os irmãos ou colegas


Portanto, se a gagueira persistir por mais de 6 meses, é necessário procurar um fonoaudiólogo. Uma criança que gagueja não necessitará ser um adulto que gagueja. Não há como prevenir o surgimento da gagueira, mas possível obter a não evolução do quadro e também a sua remissão. A detecção rápida e a intervenção precoce permitem que a gagueira não aumente. 


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