a culpa de ser a mãe que sou

outubro 30, 2015

tem dias que você quer mais colocar pra fora tudo que está sentindo, não é? por isso, o post de hoje é um desabafo, um pedido de desculpas pela mãe que sou e uma forma de procurar em mim um novo jeito de ser mãe e enfim me livrar dessa culpa de estar errando a todo momento.

ser mãe não é uma tarefa fácil, isso ninguém tem como dizer o contrário, pois não só pelas dificuldades, obstáculos e cobranças da sociedade, temos também a nossa cobrança, aquele famoso: "será que estou fazendo a coisa certa?". pois é, esse assunto assombra qualquer mãe, independente do que ela estiver querendo fazer, educar, vestir, cuidar...

quando se faz sozinha, a cobrança pessoal é de uma forma, quando se é casada, ou quando está com alguém que influencia na educação dos seus filhos, é outra.

eu sou uma mãe solteira assumida e com muito orgulho bato no peito toda a rotina diária do meu filho, brincar, educar, cuidar da casa, se cuidar, mas aí você se depara com uma nova vida, uma vida com que você tem que dividir seu dia a dia, alguém com quem compartilhar as frustrações de um dia cansativo com um filho, que entende seu sentimento, mas é nesse momento que passei a me perguntar se eu estou fazendo a coisa certa, se é essa mãe que eu quero que meu filho tenha.

justamente por ser mãe solteira e morar sozinha com meu filho, tive que criar uma rotina e uma didática diferente, pois só dessa forma, eu e meu filho conseguimos o que queremos, ele minha atenção e eu, depois que ele dorme, um momento só meu, para poder fazer o que eu quiser, como na maioria das vezes, NADA!

e se eu me sinto culpada, claro que me sinto, qual mãe não se sente?

me sinto culpada por não estar 100% ao lado meu filho, tanto por ter que abrir mão de alguns momentos com ele, como poder brincar para lavar a louça suja que me olha com um "olhar 43" ou o contrário, a culpa de deixar a louça suja lá, mesmo me olhando, para poder ter mais momentos com meu filho.

é culpa por não ter tempo, culpa por ter tempo demais, culpa por optar qualquer coisa, certo ou não, ela sempre vai existir em qualquer mãe.

nossa rotina é cansativa, acordamos cedo, deixo Lucca na escola e organizo as coisas no blog, faço pilates, minhas sessões estética e a tarde vou para o trabalho. Depois disso, quando chegamos em casa, os dois estão cansados, pois a nossa rotina foi quebrada completamente. janta, brincadeira, banho, desenho e cama, claro que nesse tempo depois de um longo dia, tem a louça suja da janta, roupas da escola para lavar, brinquedos espalhados e tudo mais e além de tudo isso, tem ele me pedindo atenção, durante a janta, ele está grudado nas minhas pernas, pedindo colo e que brinque um pouco mais com ele.

eu amo meu filho imensamente, mas muitas vezes me sinto sufocada, pois por sermos apenas nós dois, tudo que ele espera de mim é atenção e carinho.

ele janta pedindo minha atenção, brinca pedindo que eu seja o outro super herói, toma banho gritando meu nome (lavo a louça suja nesse tempo do banho) e depois olha desenho, quero meu colo, não me deixa fazer mais nada do que dar atenção a ele.

e fora isso, é um: "mamãe" pra lá, "mamãe Pâmela" pra cá, "o manhê" aqui e todos os derivados que mãe podem ter.

cansada e culpada, sim, mas penso que se eu não aproveitar esse momento, em que ele quer minha atenção, vou estar perdendo algum momento dele. claro que sei que perfeição não existe, que cada mãe é diferente da outra, assim como os filhos, fora de educar e tudo mais. mãe ideal não existe, ok e por isso me sinto real de poder vir e desabafar, toda essa minha culpa e raiva que estão trancados em mim nas últimas semanas.

temos que sentir tudo isso, mas temos que saber identificar também e não negar ou julgar, traçar uma mãe ideal para ser ou se exigir demais, é absurdo, temos que aprender a ser menos duras com a mãe que somos e buscar agir da melhor fora quando situações difíceis aparecem.

as pessoas vão opinar sempre na sua forma de educar e ouvir de pessoas muito próximas parece que dói mais ainda. ouvir aquele, não é assim que faz, é assado. convenhamos, não é nada fácil.


sou sim a melhor mãe que posso ser para meu filho e claro que erro muito, mas sei que também estou acertando, pois ao final de toda aquela rotina, depois de lavar aquela louça suja me olhando com um "olhar 43", botar toda a roupa para lavar, organizar as coisas para o próximo dia e acalentar meu filho e ouvir um: "eu te amo mamãe" vale por qualquer dia difícil.

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