Josiane e Pedro {Minha história no Fofoca}

novembro 27, 2015




Olá mamães, sou Josiane Melo e hoje venho contar a minha história e da minha luta para ser mãe pela segunda vez.

A história do meu segundo filho, Pedro, começa em dezembro de 2013, quando decidimos ter mais um filho, dar um irmão para o Ronald.

Como toda gravidez planejada, fizemos tudo conforme manda o figurino; consulta com obstetra, exames de rotina, e tudo que é preciso, depois de ter todos os resultados perfeitos eis que parei com a pílula no dia 24 de dezembro.

A partir de janeiro todos os meses vivíamos uma ansiedade, será que nosso bebê já está a caminho? Será que vai ser menino ou menina? Com quem será que vai parecer? Que cor serão os olhos? Será que vai ser calminho?

Tínhamos todas as dúvidas em relação ao bebê, mas como pais de segunda viajem achávamos que a gestação em si já não nos reservaria grandes surpresas. Afinal, já tínhamos vividos uma primeira gestação perfeita, onde com 39 semanas nasceu o Ronald com 3640,00kg e 49 cm.

A grande descoberta veio no dia 13 de maio de 2014, nosso tão esperado bebê já estava a caminho, com apenas três semanas de gestação. Uma alegria gigante tomou conta de toda família. A partir daí começamos o pré-natal, consultas e exames de rotina como toda gestação até as 24 semanas quando fomos fazer a ecografia morfológica.

Este foi um dia especialmente angustiante, um misto de incertezas e dúvidas, ao ouvir da doutora que algo não estava como esperado, o bebê estava bem; porem, pequeno para idade gestacional, a placenta apresentava algumas "coisas" não identificadas. Três médicos nos examinaram e nenhum conseguia decifrar do que se tratava.

Foi então que minha obstetra como um anjo me tranquilizou: "Josi, tu acredita em Deus?" é claro que eu afirmei e ela continuou: "Eu também acredito! Então confia em mim que vai dar tudo certo, tu vai ter teu bebê!"

Deste dia até o dia do nascimento do Pedro ia todos os dias até o hospital, para que ela nos examinasse e fizesse exames.

Começaram doses injetáveis de corticoide, para que o amadurecimento do bebê fosse mais rápido, pois não sabíamos por quanto tempo ele poderia ficar na minha placenta, a qualquer momento poderia acontecer seu nascimento.

A cada novo ultrassom, uma nova mancha não identificada, uma nova parte da placenta que parava, a angústia, o medo, a incerteza nos dominava. Mas ao mesmo tempo a fé de que Deus faria dar tudo certo, de que a vida do Pedro estava guardada por ele nos trazia paz, foi em Deus que nos apegamos, nossas orações eram apenas para que nosso bebê nasce bem.

E foi então que no dia 26 de novembro em uma das visitas diárias ao hospital, recebemos a tão temida notícia, o Pedro tem 72 horas para nascer, após este tempo ele não conseguirá se mantiver vivo nesta placenta.

Neste momento a terra se abriu diante de nós, o que fazer? Como fazer? Como vai ser? O bebê está tão pequeno!

Tivemos instrução para pedir transferência para o Hospital da Ulbra, em Canoas - RS, por ser referência nacional em pré-maturidade, e foi o que fizemos, na sexta dia 28 de novembro dei entrada no hospital às 13 horas.

Mas chegando lá o diagnóstico dado pelos médicos foi o pior possível, conversaram muito sobre bebês prematuros extremos (que nascem com menos de 1.250kg), sobre as sequelas quase impossíveis de não existirem, nos disseram que tínhamos 90% de chances de ter um bebê com sérias sequelas por ser muito pequeno, ter baixa idade gestacional, alguma sequela ou deficiência seria praticamente certo que teria.

Desta tarde até o sábado a tarde quando seria a cesariana não quis falar com ninguém, o Ronaldo que estava ao meu lado em todos os momentos estava visivelmente abalado mas se manteve forte me apoiando e confortando; a única coisa que fazíamos era pedir a Deus que tudo desse certo.

Eis que chega o momento de ir para a sala de parto, o pediatra nos olha e pergunta: "Vocês já estão sabendo né? Não será como um parto convencional, o bebê não irá chorar, ele vai ser direto entubado e levado para a UTI NEO, o pai pode ir acompanhando e tu vai ver ele só amanhã tá mãezinha?!"

Minha vontade era de gritar, chorar, sair dali naquele momento, pois no fundo sabia que meu Deus não poderia deixar isso acontecer com o meu bebê tão esperado. Mas me mantive firme, olhei para o médico e balancei a cabeça em movimento de confirmação. E lá fomos nós, eu o Ronaldo e muitos, mas muitos médicos e auxiliares para o parto.

Parecia que o tempo não passava, e que a médica nunca terminava o corte da cesárea, até que de repente um choro FORTE, mas muito FORTE, surgiu naquela sala até então em silêncio, um riso de felicidade e alívio saiu de cada um daqueles profissionais, nessa hora meu coração se acalmou.

O pediatra trouxe o Pedro aos berros e me disse: "Não tem explicação mãezinha, o pulmão do teu bebê tá mais do que forte".



Tirei fotos e o beijei exatamente como em um parto convencional. Eles os levaram para a UTI, pois apesar de estar super forte pesava apenas 1.100kg e media 34 cm.

Foram longos 31 dias de UTI neo para ganhar peso, vários exames para ter certeza de que estava tudo em ordem, alimentação por sonda pois não sabia sugar, colo podia, mas muito rápido para não perder a temperatura do corpo.

Após 30 dias do nascimento, foi quando tivemos o resultado da biopsia do que acontecia com a placenta, um infarto isquêmico placentário, acontece em uma a cada 7 milhões de gestação de mães saudáveis, que é o meu caso.


  
No dia 30 de dezembro recebeu alta com 37 cm e 1920kg. Com certeza esse foi o dia mais feliz de nossas vidas, sensação de vitória, de missão cumprida, de gratidão a Deus e a todos os profissionais que com extrema excelência desempenharam seus papéis.

Seremos eternamente gratos a Dr. Margit Schuk, que acompanhou todo nosso pré natal e a Dr. Cátia Rejane Jung que ainda acompanha o Pedro em suas consultas de rotina como pediatra.

Hoje só temos a agradecer, nosso Pedro completa 1 ano de vida no próximo dia 29, está com 10.300kg, perdeu todos os parâmetros de prematuridade, não tem nem um tipo de sequela, já está ensaiando seus primeiros passos e palavras. Hoje dissemos que o Pedro Henrique é o verdadeiro milagre da vida.



  
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