Desafio da maternidade

fevereiro 19, 2016



antes de tudo, quero deixar claro, que por ser uma pessoa pública, prefiro não me pronunciar sobre polêmicas, pois, como sempre, tudo que dissermos pode ser interpretado de forma equivocada, tanto para o lado bom, quanto para o lado ruim. só que dessa vez, eu me senti na obrigação, meu senso de mostrar a verdadeira maternidade, falou muito mais alto e é por isso que decidi escrever essa matéria.

na semana passada (pelo menos que eu fui marcada, foi) iniciou-se uma brincadeira nas redes sociais, o tal "desafio da maternidade" onde a mãe publicava fotos suas com seus filhos, mostrando o lado feliz em ser mãe e nisso, teria que indicar mais amigas para participar dessa brincadeira.

eu, pâmela, não quis participar, mas não por algum motivo maior, apenas por que eu já compartilho vários e vários momentos com o luquinha, não achei necessário participar disso.

ontem comecei a ver alguns "burburinhos" sobre a tal mãe que disse: "eu odeio ser mãe". me assustei de primeira com essa declaração, mas como sou um blog e aqui só falo de coisas que eu tenho propriedade, fui pesquisar certo o que tinha acontecido.

li o depoimento da juliana, ele é forte, mas compreensível, não podemos julgar as pessoas sem antes ter certeza de todo o por que ela teve tal atitude, existe um mundo de coisas atrás das palavras: "eu odeio ser mãe".

não vou falar sobre o caso dela, especificamente, pois muito já se foi falado, você abrir esse leque e ser muito sincera com vocês!

primeiro: que atire a primeira pedra a mãe nunca quis 5 minutinhos de paz e sossego em meio ao dia longo e cansativo com seu filho.

agora vamos por partes...

# gestar um bebê não é fácil lidar com todos aqueles hormônios que nos transformam em outras pessoas, que fazem com que você pare de gostar de arroz com feijão, para gostar de massa com leite condensado e mel (exagerei na receita, mas vai que alguém teve desejo disso, haha), sem falar aqueles enjoos matinais que vão fazer você nunca mais querer acordar. mas aí, vai ter aquele momento, em que você vai conversar com seu filho e ele vai te chutar, mostrando que está ali, te escutando.

# parir um bebê quem disse que a dor do parto é algo suportável, é por que foi abençoada (só pode ser!), mas aí você vai ouvir o choro dessa criança e vai achar o som mais lindo que você já escutou.

# pós-parto você parindo de formal natural, ou por cesárea, você vai ter dores, seja de um modo ou de outro, onde você nem vai conseguir rir da piada que o louro josé contou hoje pela manhã no programa mais você, mas aí, surge aquele momento em que seu filho dorme, o silêncio toma conta e você fica admirando aquele pequeno ser.

# amamentação eita coisa que mais me fez sofrer. leite com sangue, feridas, leite empedrado (e junto a febre), ah, e sem falar nas mordidas. só que daí você olha para seu bebê, ele te olha de volta e você vê seu corpo nutrindo aquele pequeno ser.

# pitacos sim, por que isso vai fazer parte da sua vida agora (e para sempre, aceite), seja da família, amigos, mães dos colegas da escola do seu filho, ou então nas redes sociais, de pessoas que nem te conhecem.

# cansaço do dia a dia se tem algo mais cansativo do que manter uma rotina regrada com filhos, olha, desconheço. você vai cansar (e se não cansar, pare com o vício de energéticos, haha!) e quando você estiver cansada, estressada ou quiser sumir para aquelas três letras, não se julgue, por que eu também quero isso e mesmo me sentindo assim, meu filho sabe o quanto eu amo ele.

# culpa ah, meu bem, acredito que essa é outra coisa que você nunca irá se livrar, por qualquer motivo que seja, a culpa materna é sua nova companheira, mas não se esqueça, você é a melhor mãe que seu filho poderia ter.

beleza, fofoca, mas essas pessoas que estão fazendo o "desafio da maternidade" estão agindo como um comercial de margarina, só que os nossos bastidores não são parecidos com isso. e eu falei que era? claro que não. mas sabe por que não julgo essas pessoas que participaram desse desafio? por que o mundo já está cheio de desgraças, no facebook só se vê coisas ruins, pessoas reclamando da vida e tudo mais... por que não compartilhar um pouco mais amor no mundo?

eu também tenho dias difíceis, tinha dias que eu não queria nem ver meu filho de tanto que ele me desgastou. também tenho dias que eu penso de como seria minha vida, caso eu não tivesse sido mãe, sim eu penso e isso me torna menos mãe, sou humana!

a juliana também é e por favor, não julguem ela, tentem entender o lado dela (e se não entender, respeite!) ela não deixou seu filho na porta de uma casa, não o agrediu... ela não fez nada disso, está apenas está passando por um dos períodos mais intensos e complicados, cuidar de um recém-nascido é muito cansativo.

sabe aquela história de saber qual o tipo do choro do seu filho, pois é, eu nunca soube! cólica, manha, fome, fralda suja, seja lá o que era, o que me baseava no chutômetro e não é isso e nem um desabafo como o da juliana que nos menos mãe.

a maternidade está cheia de mimimi e isso é muito triste, sabia? pois quando eu compartilho a minha história, minhas frustrações em desabafos, realizações, seja lá o que for, é para que outras pessoas se identifiquem com isso e as que não se identificarem, que respeitem e pronto.

antes de terminar, quero compartilhar um desabafo, que uma amiga, seguidora e parceira (fotógrafa dessa da foto desse post), Michele Plachi, mãe do Lucca me encaminhou ao saber que estava escrevendo essa matéria.
Vamos fugir?
Cansada, esgotada, desanimada, desmotivada. Atire a primeira pedra quem nunca teve vontade de fugir! Quem nunca, hein?
Todos nós temos nossos dias. Não é porque sou mãe, esposa e mulher que preciso ter doses extras de força, de paciência, de ânimo, garra e motivação.
Amar eu sempre vou amar! Mas, com licença, posso cansar também?!
Querer estar junto, sempre vou querer estar! Mas sim, posso querer fugir também! E pode me criticar!
Eu sei e é óbvio que eles me fazem bem! Eu sei, eles sabem e é obvio que eles são a minha vida, o meu chão, a minha base, o meu tudo!
Mas quer saber? eu também me faço um bem danado!
Meus pensamentos, meu silêncio interior, podem acreditar, são ótimas fugidas.
Não, não é pecado estar aqui fugindo pra escrever este texto enquanto meu filhote brinca na sala com o pai.
Não é pecado preferir o som do vento ao invés da música do "alvin, os esquilos".
Muitas vezes é preciso fugir.
Correr, passear, encontrar alguém, nadar ou simplesmente fugir pra dentro de mim. Garanto que alguns minutinhos já me fazem voltar vitaminada e animadamente bem!
Vou lá, volto, sei lá, mil voltas! O que importa é que sempre volto pro meu melhor lugar: Aqui, com eles.
Vai lá, foge, e depois me conta!

esse texto resume tudo que todas nós mães passamos e devemos nos abraçar e dizer: EU TE ENTENDO.

pensem nisso e não se esqueçam: temos que construir hoje um mundo com mais amor, se é assim que queremos que ele seja para nossos filhos.


* créditos da foto: Michele Plachi Fotografia - Instagram | Fan Page


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