Internação do Lucca - Mononucleose


tudo começou no dia 17 de abril, uma terça-feira, antes de dormir, vi que ele estava com umas pintinhas nas pernas, meu botão de alerta já ficou ligado.

na manhã seguinte, ele acordou com o ombro inchado, mas logo desinchou e passou o dia bem.


na quinta-feira, as pintinhas aumentaram e levei ele para o pediatra, que deu o primeiro diagnóstico: vírus do mão pé boca. a medicação era antialérgico e pasta d’água para aliviar a coceira.


na sexta à noite, começou com febre e um aumento enorme das pintinhas e levei ele na emergência do hospital. a pediatra de plantão disse que ele era o pior caso que ela tinha visto do surto de MPB.


no sábado, continuou aumentando e febre na madrugada.


no domingo, por volta de umas 5h, ele acordou chorando muito, sem conseguir mexer os braços e com muita febre. saímos correndo com ele para a emergência.


terceiro pediatra, e o diagnóstico continuava o mesmo, MPB, mas dessa vez ele pediu exames e que ele passasse a manhã em observação, mas ganhamos alta, com o mesmo diagnóstico.


na madrugada, ele continuou com muita febre, até que na segunda ele acordou muito pior, com pintinhas pelo corpo inteiro, era MUITO ASSUSTADOR e levei ele para o pediatra, que assim que viu ele disse: “não, isso não é MPB”, nos passou uma bateria de exames e disse, é bem provável que tenha que internar ele.


meu coração já estava despedaçado, mas eu mal sabia que estava apenas começando.


internamos ele e a saga começou. baterias de exames e sem saber nada, começaram um tratamento com antibióticos venoso.


na madrugada de segunda, ele passou muito mal, teve um episódio de broncoespamo e tivemos que fazer nebulização nele, foi uma madrugada interminável. ele sentia dores pelo corpo, nas articulações, e não conseguia coçar pois ardia quando fazia.



meu coração já estava angustiado, os médicos não sabiam o que era, e as suspeitas eram as mais aleatórias.


na terça, eu precisava trabalhar fora, compromissos que não poderia transferir e eu em uma angústia sem fim.


depois de 12 horas longe dele, voltei para o hospital, sentei e chorei tentando decidir o que faria. meu coração de mãe dizia que não estava certo, que era preciso maisele estava ali, recebendo medicação e eu não sabia para o quê, ninguém me dizia nada. tudo era demorado, e o caminho que estava sendo seguido, não me parecia ser o certo e eu sentia que se continuasse ali, meu filho não ia ter o diagnóstico e tratamento correto.


foi então que na quarta-feira, com uma vaga nos esperando no hospital de referência infantil do RS, o hospital santo antônio, da santa casa, eu decidi que enfrentaria quem fosse preciso para dar o tratamento correto para o meu filho.


infelizmente tive que recorrer ao SAC do nosso plano para informar meu descontentamento com o pediatra que estava nos atendendo. e eu consegui que meu filho tivesse a transferência.


início da tarde, vi os enfermeiros da ambulância na porta do quarto, meu coração angustiado há dias, finalmente se tranquilizou.


fomos de ambulância até o outro hospital e a cada km percorrido, meu coração ia se acalmando.


ao chegarmos lá, uma dezena de médicos vieram consultar ele, e me questionaram TUDO, desde a minha gestação, estilo de vida, tudinho. desde o outro hospital, ele já estava em isolamento, pois ainda não se sabia se era contagioso ou não e assim continuamos.


novos exames, mas dessa vez, nenhum tratamento seria iniciado, pois não se fazia ideia do que ele tinha, era dado apenas remédios para os sintomas, antitérmicos e antialérgicos.


eu estava tranquila, preocupada, mas tranquila, sabia que ali meu filho teria um diagnóstico e tratamento correto. ele passava o dia super bem, mas na parte da noite, dores e febre. ali o papo era com especialistas, nossa equipe era composta de infectologistas.



foi então que na sexta-feira, dia 27 de abril, um dos médicos da equipe nos trouxe um possível diagnóstico, bem assustador. era possível diagnóstico, pois os exames ainda não acusavam nada e eles estavam descartando as doenças de acordo com o que estava acontecendo.



doença de still, uma doença inflamatória e que traria complicações a vida inteira. coloquei no google, li uma matéria e parei, era muito assustador.pensei, é apenas um possível diagnóstico, se for confirmado, de fato, os médicos vão me contar exatamente o que vai acontecer.


e então, no sábado, cedinho da manhã, veio o resultado dos últimos exames e confirmaram a mononucleosetínhamos feito esse teste no início da semana, mas ele deu negativo (o que pode acontecer), e as ecografias mostravam um aumento no baço e lá no hospital, fizeram para o vírus da mononucleose, epstein-barr, e ele confirmou.

depois de mais de uma semana, finalmente tínhamos um diagnóstico e o mais alguns dias teríamos alta. finalmente com uma medicação correta, os sintomas começaram a diminuir.


a alta estava próxima e só queríamos nossa casa, nossas coisas! domingo pela manhã, dia 29/04, finalmente tivemos alta!


os cuidados se estenderiam em casa, com mais uma semana de tratamento e cuidados. pelo aumento no baço, temos que evitar qualquer impacto e batida que possa vir acontecer e por isso ele não está indo na escola, nem visitando os amigos, pois sempre quando ele fica agitado, ativa as manchas que ele ainda tem na pele, e também para que nenhum impacto aconteça.


e no final de tudo isso? um orgulho ABSURDO desse serumaninho! sofria, mas sempre tinha um sorriso escondido, um amor sem fim e transbordando uma luz que só ele têm! óbvio que ele chorou, se esperneou, gritou, quem não faria isso? ainda mais uma criança de 5 anos.


o tempo todo eu deixei ele bem ciente do que estava acontecendo, nunca menti sobre os exames que fariam nele, ou qualquer coisa, ele sempre sabia de tudo. ele foi inundado de amor e muito carinho!


um herói, que mais uma vez me ensinou muito mais do que eu tenho pra ensinar pra ele!

QUE ORGULHO DE SER MÃE DESSA CRIANÇA!

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